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19 | May | 2012    :.:    U-BLOG!

} Um estudo empírico sobre o efeito social da morfologia arquitetônica

19.02.2012 | Vinicius M Netto

Tipos arquitetônicos e as severas diferenças morfológicas que engendram: impactos também distintos sobre a apropriação social do espaço e aspectos de desempenho urbano? (imagens: googlemaps e googleeyestreetview)

Se tipos arquitetônicos geram percepções diferenciadas, teriam efeitos sociais também diferentes? Estudos, acompanhados de observações empíricas menos sistemáticas, sugerem uma hipótese de fundo para a relação entre forma arquitetônica-urbana e dinâmicas sociais locais.

Hipótese de fundo: a dissolução de tecido urbano como indutora da dissolução de redes de trocas locais na cidade.

Nossa hipótese é que, propriedades como acessibilidade e densidade iguais, o tipo (a) divisa responderia mais adequadamente a vida social e microeconômica na escala local, ao relacionar-se mais diretamente aos espaços públicos e permitir uma relação intensa entre atividades e pedestres por meio das fachadas contíguas. Nossa hipótese também aponta para a possibilidade de que o tipo (b) torre teria efeitos opostos a (a) como função do quão largos são os afastamentos do edifício dos limites do lote, as distâncias entre edifícios e em relação a faixa pedestre. Esses fatores afetariam os níveis de movimento pedestre e trariam dificuldades a atividades comerciais, com efeitos potenciais de larga-escala quanto ao desempenho urbano, como a dependência veicular. Quanto mais dominante for (b) em uma área urbana, menos pedestres e atividades comerciais seriam achadas. Já o tipo (c) híbrido teria um desempenho levemente positivo, em função de sua configuração e fachadas possuírem características mistas.

A hipótese dos efeitos sociais da arquitetura (imagens: Julio Vargas).

Chamo a atenção para o que pode ser um problema grave e crescente em nossas cidades, aparente em um estudo conduzido recentemente no Rio de Janeiro, onde aplicou-se uma metodologia desenvolvida por um grupo de pesquisadores de quatro universidades brasileiras. Estamos pesquisando sinais de associação entre a presença de certos tipos arquitetônicos e itens das dinâmicas sociais e económicas de caráter local (uso pedestre do espaço para circulação e interação; presença de atividades comerciais e de serviços – aspectos da vida social e microeconomia que reunimos sob o bem-conhecido termo “vitalidade urbana”). Nossas hipóteses acompanharam observações e intuições de muitos: a diluição do tecido urbano na forma de tipos arquitetônicos caracterizados por recuos entre si e em relação a rua.

Desenvolvemos uma metodologia para permitir o controle dos níveis de acessibilidade e densidade em áreas urbanas sob estudo, de forma a examinarmos com mais precisão as variações na morfologia arquitetônica, e relacionar a distribuição de tipos e características na geometria das implantações e fachadas à distribuição das variáveis sociais e microeconômicas mencionadas.

Analisamos 24 áreas na cidade do Rio de Janeiro, selecionadas aleatoriamente, e levantamos 249 trechos de quarteirão e cerca de 3800 edifícios, dispostos em 3 conjuntos de amostra, cada um com um nível distinto de acessibilidade (entenda-se como acessibilidade permitida pela rede de ruas e suas hierarquias mensuradas via medidas topológicas), baixa, média e alta. Controlamos ainda as densidades nessas áreas. Nossos achados são preocupantes.

Áreas aleatoriamente selecionadas no Rio de Janeiro, em três níveis de acessibilidade: alta (vermelha), média (azul) e baixa (verde)

Correlações em áreas de uma das faixas de acessibilidade analisadas
Lembrando que correlações baseadas no coeficiente de Pearson variam entre zero e +1 ou -1 (correlação perfeita positiva ou negativa), verificamos que tipos arquitetônicos tendem a ter correlações consistentes e expressivas com a presença – ou ausência – de pedestres, comércios e serviços, ou seu oposto. A correlação encontrada em uma das faixas de acessibilidade (a de maior convergência entre padrões urbanos e tempo de urbanização) entre edifícios do tipo (a) divisa e movimento pedestre foi de 0.321, e entre tipo (a) e a presença de térreos com comércios ou serviços, fundamentais para a vitalidade social das ruas, de 0.414. Já a correlação entre o edifício tipo (b) torre e movimento pedestre é de -0.336; entre torres e atividades de comércios ou serviços em térreos, -0.414, o reverso exato do tipo (a). Também dando suporte às hipóteses definidas acima, o tipo (c) híbrido apresenta correlação de 0.098 com movimento pedestre, sem relevância, e 0.169 com atividades comerciais, sugerindo uma presença ligeiramente positiva associada à dinâmicas microeconômicas locais.

Investigamos ainda a relação entre diversidade de atividades medida por um índice de distribuição de categorias (residencial, comércio, serviços e institucional) tanto em térreos quanto em pavimentos superiores, e variáveis pedestres como movimento e presença de grupos estáticos no espaço público da rua. A correlação entre diversidade de atividades em térreos e movimento pedestre é positiva (0.326), assim como com grupos estáticos (0.510). A diversidade de atividades em pavimentos superiores também é um fator que coincide com movimento pedestre (0.345) e, de modo mais marcante, com a presença de grupos estáticos na rua (0.475), dando suporte a hipótese jacobiana da associação urbana entre diversidade de usos e vitalidade.

E quanto as relações entre diversidade de atividades e tipos arquitetônicos? Encontramos correlações positivas de 0.419 entre diversidade no térreo e o tipo (a) divisa, -0.449 para o tipo (b) torre, e 0.179 para o tipo (c) híbrido. Temos assim uma nova reversão entre o comportamento dos tipos (a) e (b), com associação estatisticamente significativa entre diversidade e tipos, apontando a redução drástica de diversidade para áreas de predominância do tipo (b). A diversidade de atividades em pavimentos superiores mantém essa tendência: a correlação com o tipo (a) divisa é de 0.519; com o tipo (b) de -0.549; com o tipo (c) de 0.179. Os dados mostram uma conjunção marcante entre diferentes arquiteturas, diversidade e apropriação das ruas, e reforçam a hipótese do papel benéfico do tipo divisa para a vitalidade urbana.

Analisamos ainda as correlações entre variáveis socioeconômicas locais e outros aspectos arquitetônicos mais detalhados, verificando coincidências significativas. A densidade de portas tem fortes correlações com movimento pedestre (0.680), grupos estáticos (0.437), atividades comerciais (0.568) e diversidade de atividades no térreo (0.395). A densidade de janelas também apresenta altas correlações com movimento pedestre (0.723), grupos estáticos (0.501), atividades comerciais (0.511) e diversidade de atividades no térreo (0.338). Esses fatores de permeabilidade edifício-rua se mostram assim bastante associados à vitalidade urbana.

Agora vejamos como eles se sobrepõem aos tipos arquitetônicos. A correlação da densidade de portas com o tipo (a) divisa é expressiva, sendo de 0.545; com o tipo (b) torre, -0.562 e com o tipo (c) híbrido, 0.112. Já entre densidade de janelas e tipos, temos ligeira queda: (a) 0.285, (b) -0.289 e (c) 0.035. A combinação entre correlações entre variáveis socioeconômicas, fatores de fachada e tipos dados mostra que o tipo contíguo (a) favorece a porosidade entre arquitetura e espaço público, e que essa porosidade é associada positivamente com a presença de pedestres e atividades – em proporção inversa para o tipo (b) torre.

Essa tendência é similar para a interface edifício-espaço público sob forma dos afastamentos frontais e das bordas entre lote e passeio. As correlações entre muros e movimento pedestre (-0.477) e muros e grupos estáticos na rua (-0.506) são bastante negativas, seguidas por atividades comerciais de térreo (-0.496) e diversidade (-0.449). Apresentam um menor grau entre grades e movimento pedestre (-0.196) e grades e grupos estáticos na rua (-0.096); e grades e atividades comerciais de térreo (-0.199) e diversidade (0.079). Já as correlações entre lotes abertos, movimento pedestre e grupos estáticos são fortemente positivas, 0.627 e 0.589 respectivamente; sendo semelhantes com atividades comerciais de terreo (0.650) e diversidade (0.410).

Essas observações reforçam a impressão de senso comum de que muros e grades impactam negativamente o uso pedestre do espaço público e as atividades comerciais ao nível do térreo.

Mas vejamos agora as correlaçoes muros e tipos: (a) -0.423, (b) 0.418 e (c) 0.010; entre grades e tipos: (a) 0.237, (b) -0.217 e (c) -0.102; e finalmente entre lotes abertos e tipos: (a) 0.276, (b) -0.285, (c) 0.060. Esses itens combinados mostram que a forte associação entre recuos e muros e o tipo (b) torre, hoje o preferido pelo mercado imobiliário – fatores de permeabilidade entre arquitetura e rua que terminam por apresentar estatisticamente uma relação problemática com a vitalidade urbana.

Outras faixas de acessibilidade tem resultados com variações eventualmente intrigantes, seguindo contudo a tendência dos sinais positivos e negativos encontrada acima, ainda que geralmente em menor intensidade. Considerando a complexidade de fatores urbanos envolvidos na produção e reprodução de dinâmicas sociais e microeconômicas, essas correlações são altamente relevantes.

Gravemente, o estudo empírico rigoroso nos mostra que os dois tipos arquitetônicos mais presentes em nossas cidades aparecem associados de modo inverso e significativo com intensidades sociais e econômicas locais bastante distintas e . Essa diferença merece atenção na prática da arquitetura e do planejamento urbano, dada essa fixação do mercado imobiliário no tipo torre, associado à diluição da vida social e microeconômica no espaço público. Os danos estão em progresso e, como arquitetos Brasil afora, temos fechado os olhos.


Pesquisadores:
Vinicius M Netto, Universidade Federal Fluminense
Renato Saboya, Universidade Federal de Santa Catarina
Julio Vargas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Lucas Figueiredo, Universidade Federal da Paraíba


[PARA SABER MAIS, ACESSE: http://urbanismo.arq.br/metropolis/2012/01/09/the-convergence-of-patterns-in-the-city-isolating-the-effects-of-architectural-morphology-on-movement-and-activity/]

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} Mestres do Desurbanismo

26.03.2011 | Vinicius M Netto
Ciudad Collage [Ed.Gustavo Gili, Barcelona].”]

Tecido denso e contínuo da cidade tradicional, freqüentemente produzida sem um planejamento ‘racional’ (Parma), e as novas geometrias rarefeitas introduzidas no séc.XX. (Saint-Dié, projeto de Le Corbusier – fonte: Collin Rowe e Fred Koetter [1978

O colega Douglas Aguiar, autor do livro recente “Alma Espacial”, sugeriu a uma orientanda sua que consultasse Lucas Figueiredo, Romulo Krafta e a mim a fim de questionar sobre bibliografia a respeito do tema “Desurbanismo.” Lucas havia escrito um paper há poucos meses sobre o tema no evento I ENANPARQ 2010, e deu, junto a Romulo, uma lista de sugestões.
do topo da memória, teria apenas alguns itens a sugerir nessas leituras do tema de desurbanismo:
Jacobs oferece um leque de casos de desurbanismo ao longo de seu livro de 1961. Morte e Vida Severina, digo, Morte e Vida das grandes cidades americanas. Veja suas descrições de lugares e projetos propostos para NY e o restante dos EUa.
Mas eu diria que há alguns grandes mestres do desurbanismo.
O primeiro é, naturalmente, Le Corbusier. O grande manual do desurbanismo foi proposto com o nome de “Carta de Atenas”, ironico, dado que aquela cidade teve uma vitalidade enorme e permitiu escritos sobre cidades e o florescimento de ideias e modos de organização social.
O segundo pode ser considerado Robert Moses e seus planos devastadores para NY e outras metropoles americanas. Seus projetos de (des)urbanização, vinculados ao projeto e ao lobby da indústria automobilística, induziram o sprawl americano que já havia sido preparado ideologicamente por outro desurbanista poderoso, Frank Lloyd Wright.
A Wright fica um lugar especial também nessa lista – ainda que ele esteja inserido numa linha de pensamento desurbano europeu e anterior.
Em terras brasileiras, temos nosso grande desurbanista: Lucio Costa. Seus projetos para Brasília e Barra da Tijuca materializaram o genótipo espacial proposto por Le Corbusier – o genótipo da anti-vida urbana, uma combinação brilhante de fatores que implicavam no desaparecimento do pedestre, da micro-economia pendurada nos canais das ruas, nas fachadas tensionando os corpos em movimento, na permeabilidade entre térreos e espaço da rua. Tremenda obra. Em tempos de motorização pesada e cidades no limiar do gridlock constante, Lucio Costa merece um lugar bastante especial.
esses campeões da desurbanidade – a despeito de suas possíveis contribuições, ainda que eu acredite que elas nem de longe se comparem aos danos que geraram a cidades e populações no mundo todo – certamente merecem muito mais atenção do que eles tem recebido no terrível papel de desviar cidades de suas soluções historicamente, coletivamente produzidas.

› 2 comentários para “Mestres do Desurbanismo”

  1. Leonardo Lima says:

    “Ótimo” post professor Vinicius. É pena que a velha não consiga responder todas as perguntas sobre planejamento urbano! Faz 40 anos que os egressos das faculdades de arquitetura utilizam o “Morte e Vida…” como livro de cabeceira. Faz um tempo que enterraram o “Le Corbusier”. Mas aí eu te pergunto: as cidades não continuam com os mesmos (ou até maiores) problemas?
    Incrivelmente conheço “criaturas” criadas pelo desenho do “infame” Lúcio Costa que não trocariam a “vida” de Brasília por nenhuma outra de qualquer cidade brasileira… Ou seja, será que o desenho desses caras é tão ruim assim?
    Bater na lógica e no racionalismo moderno parece fácil. Álias, fácil é ser exatamente isso: a pedra. Díficil é ser a vidraça. Fácil é apontar os defeitos e fazer algumas propostas pontuais da janela do meu quarto, onde meus vizinhos levam uma vida bucólica, compram no bar da esquina e as crianças brincam na rua. Difícil é propor alguma coisa com sustância, numa escala bem maior, como as que Moses, Le Corbusier e Lúcio propuseram.
    Nesses últimos anos, percebo que a faculdade de arquitetura virou um campo de batalha entre os “modernistas” x “anti-modernistas”. Muitos desses últimos nem sabem o “por quê” pensam assim, mas fazem isso por que a onda de professores mais novos (na qual incluo você, Éber Marzulo, Júlio Vargas, entre outros), descolados e bacanas, parece dizer que é bonito, legal, da hora… falar mal de autores como os que foram citados no teu texto e defendem veementemente a Jacobs. Não que ela esteja errada, existem boas colocações ali, mas não o suficiente para desmentir toda a obra que esses autores deixaram. Antes de criticar o que eles propuseram e escrever aqui, falta deixar o direito de “defesa” e mostrar o “por quê” das suas propostas, o momento histórico, os ideais de uma época, etc…
    Finalmente, antes de terminar, gostaria de lembrar o que li em algum lugar: Se não me engano, (teu amigo) Lucas Figueiredo, escreveu certa vez: “Jornalistas são pessoas que escrevem muito bem, sobre assuntos que não conhecem nada”.

    PS.: Historicamente, São Paulo cresceu desordenadamente. O centro de São Paulo é histórico, coletivamente produzido ao longo de 5 séculos. Me lembro das últimas 3 horas que fiquei preso querendo atravessá-lo e do medo de ser assaltado em algum cruzamento, formado por quatro esquinas onde botecos sujos se defrontavam e cortiços se amontoavam… Será que as “cidades historicamente produzidas” são a solução…? Eu vou parar por aqui, pra não estender aquele papo chato da “importância de estudar o (des)planejamento urbano!

    []´s
    Leonardo Lima/RS
    http://www.ufrgs.br

  2. Alexander Laranjeira says:

    É, Leonardo Lima… importantíssimas as suas observações. Nem tanto nem tão pouco, né? Ao invés de tanto partidarismo na arquitetura (e na ciência como um todo), que tal mais discussão construtiva, visando o bem comum, somando os pontos positivos das várias visões a fim de um consenso? Acho mais produtivo do que a oposição pela oposição.

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} Novo paper: Urbanization at the heart of the economy

03.03.2011 | Vinicius M Netto

Shanghai - Foto: Flávio Coddou.

Recentemente publicado no site | periodico Cluster, o artigo discute o papel central das cidades e suas estruturas no desenvolvimento social e econômico de regiões e nações. Através de uma breve comparação da economia emergente brasileira e sua grande demanda de infraestrutura material às políticas espaciais de outro forte ator internacional, China, reafirmando a urgência no preparo de cidades para um papel renovado em uma economia global.

“Whenever and wherever societies have flourished and prospered rather than stagnated and decayed, creative and workable cities have been at the core of the phenomenon; they have pulled their weight and more. It is the same still. Decaying cities, declining economies, and mounting social troubles travel together. The combination is not incidental.

Jane Jacobs, New Foreword to the 1992 edition of The Death and Life of Great American Cities

Economic growth is a central concern in our globalized societies, both in contexts of economic crisis affecting solid economies or in developing countries. However, a certain view of the economy as an abstraction, something immaterial, almost as if produced in thin air or under any sort of material condition still dominates the way we look into our societies. Nothing can be farther from the case. An economy may only emerge in profoundly material and localized conditions – and evolve into a full-fledged economy only in appropriate material conditions. However, what are those conditions?”

http://www.cluster.eu/2011/01/27/urbanization-at-the-heart-of-the-economy-the-role-of-cities-in-economic-development/

Vinicius de Moraes Netto, Cluster | City-Design-Innovation, Janeiro de 2011.

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} “Brasília – Cidade Moderna, Cidade Eterna”

20.05.2010 | Julio Celso Vargas

Lançamento do novo livro de Frederico de Holanda, este reconhecido professor da UNB, pesquisador coordenador do Grupo “DIMPU – Dimensões Morfológicas do Processo de Urbanização” e autor de outros livros como O Espaço de Exceção (Editora Universidade de Brasília, 2002) e organizador de Arquitetura & Urbanidade (ProEditores Associados Ltda., 2003).

Conforme a quarta capa, “Para comemorar os cinquenta anos da nova Capital Federal do Brasil, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília vem organizando uma série de publicações de caráter multidisciplinar. Iniciada com O Capital da Esperança, de Gustavo Lins Ribeiro, e Da Nova Lisboa a Brasília: a invenção de uma Capital, de Laurent Vidal, segue-se agora este Brasília – cidade moderna, cidade eterna, de Frederico de Holanda. Dentre os demais títulos previstos, já estão no prelo Projetos para Brasília: 1927-1957, de Jeferson Tavares, e De Plano Piloto a metrópole: a mancha urbana de Brasília, de Jusselma Duarte de Brito.

A coleção Brasília Histórica 50 anos é coordenada pelos professores Andrey Rosenthal Schlee e Sylvia Ficher

› 2 comentários para ““Brasília – Cidade Moderna, Cidade Eterna””

  1. Como faz para comprar este livro?
    Obrigado.

    • Oi Sheyla.
      Acredito que está à venda “nas boas casas do ramo”, a editora é da UnB (Universidade de Brasília).
      Se não encontrares, faça contato diretamente com o prof.
      Frederico Holanda <fredholanda44@gmail.com

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} Want to Cut Crime? It Takes a Neighborhood.

19.05.2010 | Vinicius M Netto

Excelente artigo do Washington Post sobre como economistas tem identificado problemas urbanos – do crime (tema principal do artigo) às condições de urbanidade (que aparece mais explicitamente no último parágrafo da segunda parte, sobre a importância da boa e velha aglomeração das cidades)

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/02/22/AR2008022202384.html?hpid=opinionsbox1

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} e-debate @ urbanidade

06.03.2010 | Vinicius M Netto

A partir de Setembro de 2009, um grupo de pesquisadores se engajou em uma discussão iniciada por Douglas Aguiar sobre uma definição para “urbanidade” e formas – e sobre a própria possibilidade – de capturá-la. A discussão gerou algo como 40.000 palavras de observações que mostram a riqueza e a dificuldade do conceito – e caminhos alternativos para entendê-la. Tivemos a intenção de colocá-la à disposição do público interessado em cidades. O debate tem envolvido mais participantes ao longo do tempo: DOUGLAS AGUIAR, ROMULO KRAFTA, PAULO RHEINGANTZ, JULIO VARGAS, VINICIUS NETTO, LUCAS FIGUEIREDO e RENATO SABOYA.

Esta é a primeira parte do debate, centrado no tema da “urbanidade.” Outros dois debates se iniciaram, sobre “sustentabilidade” e sobre a urbanidade latente em um projeto de Reidy para a Esplanada Santo Antônio.

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DOUGLAS AGUIAR: estou tocando um projeto de pesquisa que trata de avançar no estudo dos requerimentos espaciais da urbanidade. Convidei o Julio Vargas a participar e ele vai nos dar uma mão na parte quantitativa da sintaxe e no que mais quiser. Acho que teremos o romulo, já conversamos, e tenho mais algumas pessoas em mente. Me interessou a possibilidade de evolução de alguns conceitos, a luz do tema da urbanidade; dentre outros o conceito de comportamento espacial, e especialmente o de rede social; o processo de formação das redes sociais. Dá uma olhada no link http://www.mediafire.co/download.php?tznzjdtzt0w onde está relatado o estado atual do trabalho que estamos fazendo, e se julgares oportuno, estas convidado a participar desse projeto, do modo como desejares.

ROMULO KRAFTA: Não sei se poderia contribuir; a minha produção pregressa parece ser de pouca valia no caso, trata de sistemas espaciais em escalas mais amplas e pouca interface com os humanos (he he he); as coisas que estou ‘cozinhando’ no momento parecem ser mais próximas; ainda estão meio cruas, mas deixa eu te dar uma idéia geral disso: Vamos admitir que a cidade seja um suporte às atividades sociais, e, desses, vamos focar nos deslocamentos. Como é sabido, há diferentes tipos de deslocamentos – os que têm destinação pre-estabelecida e percurso conhecido, os que têm destinações sequenciais, os que têm destinação estabelecida, mas têm percurso desconhecido, pelo menos em parte, os que não têm destinação estabelecida (seriam os chamados “deriva”?), os que têm apenas a destinação como ponto relevante, os que têm mais de um, etc. Cada um deles segue uma lógica espacial própria, que depende, além da sua natureza, como dito acima, também do comportamento, background e mood de cada personagem, do clima, etc. Deixando de lado as características devidas a cada indivíduo, resta ainda a tal lógica espacial, ou seja, como cada indivíduo define um percurso físico a partir da natureza (origem, destino, destinos, objetivo, etc) do deslocamento pretendido. Podemos supor que a cidade, aquele suporte acima referido, é um repositório de informações disponíveis aos navegadores. Essas informações podem ser de dois tipos: as sintáticas, ou seja, as derivadas da articulação espacial [por exemplo, as alternativas de deslocamento dadas ao navegador a cada ponto (meio de quadra, esquina em cruz, esquina em T, etc.), a visibilidade (pode ser equiparada a axialidade) a cada ponto]; e as semânticas, as derivadas dos significados sociais, ambientais, simbolicos, funcionais, históricos, etc, aderidos a cada ponto. Estes conteúdos são hierárquicos, ou seja, abrangem um universo que vai dos componentes da imagem pública da cidade até um pequeno detalhe significativo apenas para um indivíduo ou conjunto mínimo de indivíduos (o ponto em que o pai foi preso, ou a esquina em que o irmão ‘achou’ uma bala perdida, por exemplo).

[...]

DOUGLAS: Pois é, Romulo, tuas observações oferecem uma boa oportunidade para esclarecimentos de fundamento; por um lado sobre o conceito de urbanidade e o entendimento que dele tenho e, por outro lado, sobre o modo como a análise sintática se relaciona com o nosso assunto. Bueno, a definição clássica de urbanidade apresentada em diferentes dicionários, e que fundamenta o teu argumento – entendida como civilidade ou cortesia de maneiras, refinamento – não coincide com o conceito de urbanidade que venho adotando nesse trabalho, ainda que seja parte dele. As manifestações de urbanidade que tu presenciaste em Copacabana, por exemplo, a simples briga de vizinhos, a gentileza feita a um turista na av Rio Branco, tudo isso se refere ao conceito clássico e seria uma parte desse conceito ampliado que utilizo. Essa definição de senso comum que tu apontas, com as definições dos diferentes dicionários, entende a urbanidade como uma característica do humano, das pessoas. O entendimento de urbanidade que adoto, estende, amplia essa condição de urbanidade aos não humanos ou aos objetos sócio-técnicos, como chama Bruno Latour. Ainda que esse autor seja recente na minha literatura, compartilho com ele desse modo de ver já faz muito. Nessa linha a cidade, as ruas, os edifícios são participantes ativos da urbanidade, eu diria mesmo que doadores de urbanidade, entendida aí também, como civilidade ou cortesia de maneiras, refinamento, agora tudo isso por parte dos edificios, dos espacos, assim como ocorre no caso dos humanos e talvez até em maior proporção. Portanto, haveria, como contrapartida do meio construído, uma carga arquitetônica, espacial, configuracional que proveria, em maior ou menor grau, urbanidade, tipos de urbanidade, graus de urbanidade aos lugares.

[...]

JULIO VARGAS: [...] Resgatei um texto de 2001 da revista Ciência e Ambiente, “Pequena Digressão sobre Conforto Ambiental e Qualidade de Vida nos Centros Urbanos”, que foi quando travei contato com as idéias do prof. Rheigantz e sigo firme no Berman, do qual falo mais assim que tiver um tempinho. O foco dele são as manifestações artísticas em Times Square, mas tem muita coisa sobre o espaço em si, inclusive incursões muuito interessantes sobre a configuração do lugar, o arranjo viário, acessibilidade, confluência… Na minha dissertação mexi um pouco com esses conceitos de dinâmica social em espaços centrais e depois tentei [...] avançar por uma idéia de “vitalidade”, que seria não a simples presença de gente – pedestres – mas a mistura de tipos nos espaços públicos. Vou [enviar] o que escrevi e também as medições que fiz, que acho que vão na linha do que o Rômulo escreveu, da necessidade de tomar a urbanidade/vitalidade pelo lado mensurável, racional, com variáveis, indicadores. É um recorte meio forte, que elimina o sublime da noção de urbanidade em nome de uma operacionalização de pesquisa…

[...]

VINICIUS: Venho acompanhando a discussão e gostaria de comentar algumas coisas. A primeira vez que tive contato com o termo ‘urbanidade’ foi em 1998, em função do Fred Holanda, que escrevia sobre isso. Naquele momento, havia ficado impressionado porque o conceito parecia bastante amplo. Não vou discutir o conceito do Holanda (podemos convidá-lo para a discussão); vou explorar o desdobramento do “urbano” nessa extensão (urban-idade), que parece multiplicar ou capturar uma espécie de essência do próprio urbano e das experiências urbanas. Vou tentar esboçar aqui uma definição ou aproximação.

Vejo que ‘urbanidade’ se refere a uma experiência do urbano, mas não a definiria como categoria psicológica ou de predominância psicológica. O que importa na idéia de ‘urbanidade’, ate onde entendo, e’ que ela endereça não as condições urbanas pra uma vitalidade ou riqueza do urbano, mas aos efeitos de quaisquer que sejam as condições da ‘vida urbana intensa’ (e acho que aqui está parte das dificuldades em descrever que propriedades no urbano ela depende: ele se refere aos efeitos do urbano, efeitos que apreendemos como qualidades do urbano, e então confundimos efeitos e condições). Essa qualidade de vida urbana intensa deve ir necessariamente alem da dimensão experiencial, por mais última que esta seja, por ela se restringir essencialmente a experiência individual, a do sujeito (a minha experiência, assim encerrada) – ao passo que o mistério maior está em entender como algo assim vem à tona at all. Porque ela só pode ser uma produção social, e – desconfiamos – mediada, produzida e reproduzida pelo espaço. Assim, não nos refiramos imediatamente as suas causas ou suas contingências, mas ao que urbanidade implica. A despeito da definição de senso comum dos dicionários, eu diria que o conceito de “urbanidade”, como desdobramento, extrapolação do conceito de “urbano”, é uma forma de endereçar a “essência do urbano” ou a “última qualidade do urbano”: a que captura todas as qualidades, as melhores qualidades que vemos e esperamos em cidades e áreas e tecidos e “lugares.” E eu não me apressaria a vincular “urbanidade” com um conceito tão espacialmente auto-confinado, e ao mesmo tempo tão indefinido, quanto o de “lugar” – o conceito de ‘urbanidade’ me parece simplesmente maior, parece não caber no “lugar;” a qualidade (bem como o conceito) de urbanidade parece extrapolar as bordas – identificáveis ou não – do lugar, e “vir de todos os lados” do lugar: ainda que seja perceptível em lugares, não poderia ser produto do lugar como “fenômeno” ou evento espacial.

[...]

PAULO RHEINGANTZ: primeiro, tenho achado os debates muito relacionados com a lógica da racionalidade, que segundo Boaventura de Souza Santos, é apenas um dos diversos modos de ver e explicar as coisas, e não necessariamente o melhor ou o mais certo. Acredito que a proposição do “coletivo” de Latour em substituição ao par “humanos” e “não-humanos”, e a do “viver é conhecer” de Maturana e Varela (A árvore do conhecimento) podem contribuir em muito para superar as dificuldades da discussão, inclusive as anteriormente formuladas por Romulo. Em lugar de tentar enquadrar a discussão sobre “urbanidade” a partir de argumentos racionalizados, penso ser muito mais importante (e abrangente) tentar explicar a nossa experiência vivenciada em cada ambiente observado (e também a dos outros). As explicações e aregumentos racionais servem apenas para corroborar as nossas descobertas e emoções, que não cabem no discurso acadêmico tradicional, em geral frio e distanciado. A natureza humana não pode ser fielmente enquadrada nem reduzida a um simples conjunto de argumentos lógticos, porque muito de nossa experiência é de cunho emocional e de difícil argumentação. O discurso erudito pode ser muto apreciado em eventos e entre nossos pares, mas em geral é muito distante do que vivenciamos em nossa experiência urbana. Dito isto, não acredito ser possível tentar debater “urbanidade” com tanta erudição e frieza. Penso que “urbanidade” seja a qualidade do urbano e, assim como a própria existência humana, só faz sentido se analisado indissociado dos humanos – daí a importância do “coletivo”. É algo muito próximo da “qualidade sem nome” de Alexander, percebida, mas nem sempre possível de ser explicada.

[...]

LUCAS FIGUEIREDO: Foi difícil apreender toda a conversa de uma só vez, portanto perdi muitas nuances importantes, mas vou me arriscar em fazer alguns comentários mesmo assim sobre alguns pontos restritos da conversa.
1.Urbanidade. Outro dia andei lendo um Review do Cuthbert sobre os últimos 50 anos de teoria sobre desenho urbano: http://www.palgrave-journals.com/udi/journal/v12/n4/full/9000200a.html Depois que li, fiquei com a impressão de que as únicas teorias de desenho urbano consistentes com as quais tinha me deparado eram o artigo de Bill (1989) The architecture of the urban object e, de forma muito mais elaborada, o livro de Fred (2002) O espaço de exceção. O motivo dessa impressão era bem simples, tinha desenho nesses dois textos, ou seja, na linguagem de Bill, existiam especulações sobre as “leis” do espaço para a sociedade e vice-versa. A palavra “desenho” é importante porque muito dessa discussão sobre urbanidade vem de Jane Jacobs. Jacobs era jornalista e uma característica dos jornalistas e escrever bem sobre coisas das quais não entendem absolutamente nada. Se abres o “morte e vida de grandes cidades” e só encontras 3 desenhos toscos sobre tamanhos de quarteirões. O resto, fica por conta da imaginação do leitor. O que diabos é então um espaço “urbano” (no sentido de urbanidade)?

[...]

MAIS DO DIÁLOGO SOBRE URBANIDADE NO PDF EM ANEXO.

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} A urbanização no coração da economia: O papel das cidades no crescimento econômico

27.01.2010 | Vinicius M Netto

O crescimento econômico é uma preocupação central em nossa sociedade e um processo tido atualmente como inexorável pelo governo brasileiro. Contudo, paira entre a maioria de nós uma visão da economia como uma espécie de abstração, algo imaterial, que se produz em alguma esfera “macro” para além dos contextos cotidianos da atividade econômica, quase como se produzida “no ar” e viabilizada sem qualquer esforço logístico. Nada pode ser mais equivocado que a visão da economia como imaterial. A economia é, antes, produzida em condições profundamente materiais e localizadas. Mas quais seriam essas condições? O objetivo deste texto é mostrar o papel estratégico da cidade – da sua infra-estrutura como locus da produção à cidade como cenário da troca econômica, da inovação e do consumo – para a produção e para o desenvolvimento. Esse entendimento é urgente e deve pautar mais explicitamente os investimentos do governo como a entidade que gerencia as estruturas materiais do país. As diversas instâncias do Estado (federal, regional, municipal) têm falhado em reconhecer que as dinâmicas econômicas são profundamente dependentes de estruturas urbanas. Têm, assim, falhado em preparar o país suficientemente rápido e na escala necessária para o crescimento anunciado e buscado por sua infinidade de atores – um crescimento de resto esperado pelo mundo: há uma expectativa internacional em relação ao Brasil como economia emergente e novo ator de peso nas decisões e na estabilidade sócio-econômica mundial.

Em breve, postarei um pequeno ensaio crítico sobre essa questão aqui no site.

› um comentário para “A urbanização no coração da economia: O papel das cidades no crescimento econômico”

  1. JCelso (eu mesmo, as usual) says:

    Saiu a versão definitiva, tá no Vitrúvius: http://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.126/3655
    Recomendo!

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} David Harvey no Fórum Social Mundial

26.01.2010 | Julio Celso Vargas

O Geógrafo inglês, professor da City University de Nova Iorque, integrou a mesa “A Conjuntura Econômica Hoje” do Seminário “Dez Anos Depois, Desafios e Propostas para um Outro Mundo Possível”, realizado na Assembleía Legislativa do RS.

Com ele estavam Susan George, da ATTAC, Paul Singer, da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e o secretário de relações internacionais (?) da CUT, João Felício.

› um comentário para “David Harvey no Fórum Social Mundial”

  1. Jcelso (eu mesmo) says:

    Matou a pau.
    A obrigatoriedade de o sistema capitalista crescer 3% ao ano indefinidamente vai dar no quê? Vai levar a humanidade para onde? Esta é a grande questão, o resto é papo furado…
    Meio-ambiente, gênero, sindicalismo, etnias, são todas visões parciais que não abarcam a totalidade do problema, impedem uma coordenação racional do chamado “anti-capitalismo”.
    Citou Marx, pra variar.

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} IAB-RJ: Olimpíada e Haiti

26.01.2010 | Julio Celso Vargas
Reproduzo o informe de 25 de Janeiro do IAB do Rio:

Prezados colegas,

Desejo trazer dois assuntos a compartilhar com todos: Olimpíada e Haiti.

Nesta semana, a cidade recebeu excepcional notícia: O Comitê Olímpico Internacional aprovou a transferência da Vila da Mídia para a zona portuária.

Como se sabe, a Vila Olímpica é o lugar que aloja os atletas enquanto a Vila da Mídia abriga os jornalistas. Elas se equivalem em número de leitos. No projeto original da Olimpíada de 2016, as duas estavam localizadas na Barra da Tijuca. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, conseguiu o acordo dos demais atores decisivos (governador, ministro, presidente do COB) e, com isso, o COI foi sensível à demanda pela mudança.

É um passo importantíssimo para que a Olimpíada deixe um legado em benefício de toda a cidade. Localizada no Porto, a Vila da Mídia ajudará a redirecionar os investimentos públicos, sobretudo os relativos ao transporte e à infra-estrutura. Sinalizará, também, com o reforço da centralidade do Centro histórico, hoje tão debilitada. É também um importante estímulo ao aproveitamento dos vazios urbanos existentes no Centro. É possível que sejam construídas 4.000 unidades habitacionais, como mínimo, podendo alcançar 10.000 unidades.

Espera-se ainda que seja aceita pelo COI também a transferência do Centro da Mídia, que é o núcleo de comunicações da Olimpíada. Faz todo o sentido a sua mudança para a zona portuária também porque sua construção poderá ser antecipada de modo a atender à Copa de Mundo de 2014, que terá o estádio do Maracanã como sede.

Lembremos que se dizia ser impossível qualquer modificação no projeto apresentado por ocasião da candidatura da cidade a sede dos Jogos. Prevaleceu, porém, o interesse da cidade. É um começo auspicioso para a qualificação dos projetos olímpicos.

Também nesta semana, conforme o informe anterior, o IAB-RJ se posicionou em solidariedade ao povo do Haiti, integrando rede de apoio humanitário e sinalizando um futuro possível engajamento dos arquitetos brasileiros na reconstrução de Porto Príncipe.

Em decorrência, recebemos do presidente nacional do IAB, arquiteto João Suplicy, a solicitação de que o IAB-RJ assumisse a tarefa de articular-se com as autoridades brasileiras e com os demais departamentos estaduais no sentido de que o posicionamento dos arquitetos brasileiros possa ser o mais efetivo possível.

O Conselho Administrativo designou o colega Otávio Leonídio para a coordenação do trabalho.

Abraço,

Sérgio Magalhães

Presidente IAB/RJ.

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